A História da Cachaça da Jaqueira - Uma tradição secular!

Uma história pitoresca que começa com Dona Cândida Antonieta Vidigal Prado de Linhares Siqueira e chega até nossos dias através de "O Presida", herdeiro da tradição familiar e guardião da receita secreta. Descubra como uma baronesa visionária criou a bebida que hoje acompanha nossas partidas, provando que tênis e cachaça nasceram para andar juntos! "No tênis como na cachaça: quanto mais você esquenta, melhor fica o resultado!" - Baronesa de Jaú, 1920.

5/8/20242 min read

A Baronesa de Jaú e os Primórdios do Tênis Caipira

No alvorecer do século XX, quando as locomotivas ainda apitavam pelos cafezais e os automóveis eram novidade para poucos, vivia em Jaú uma figura singular: Dona Cândida Antonieta Vidigal Prado de Linhares Siqueira, conhecida pelos íntimos como a Baronesa da Lage.

Os Primeiros Saques da História

Conta a lenda que a Baronesa, filha de coronel do café e herdeira de um próspero alambique, foi a primeira mulher do interior paulista a empunhar uma raquete de tênis. Não por acaso ou modismo europeu, mas por pura necessidade prática: descobriu que o movimento do saque era idêntico ao gesto usado para mexer as grandes tachas de caldo de cana no alambique paterno.

"Se sirvo para mexer melado, sirvo para sacar bola", dizia ela, com a sabedoria simples que caracterizava os paulistas da época.

O Alambique Sagrado e a Receita Secreta

O Alambique da Lage, herdado de seu pai, o lendário Coronel Vidigal Prado (que alguns historiadores duvidosos juram ter inventado o ace no tênis brasileiro), produzia a mais refinada cachaça da região. O segredo? Dona Cândida descobriu que as bolas de tênis usadas, depois de muito jogo sob o sol escaldante, quando deixadas de molho na garapa, conferiam um sabor único à bebida.

"Tênis e cachaça nasceram para andar juntos", filosofava a Baronesa, enquanto degustava sua criação em tardes de domingo, sempre depois de uma partida contra os fazendeiros vizinhos.

As Lendárias Partidas da Fazenda

A propriedade da Baronesa possuía a primeira quadra de tênis oficial do interior de São Paulo - um saibro vermelho que ela mesma mandou importar de uma cidadezinha francesa cujo nome ninguém conseguia pronunciar direito. Ali, entre 1910 e 1930, reuniam-se os "coronéis raqueteiros" para partidas épicas que duravam dias inteiros, regadas sempre pela cachaça especial da casa.

Dizem as más línguas que a Baronesa nunca perdeu uma partida - não por ser melhor tenista, mas porque seus adversários, depois do terceiro gole da cachaça da jaqueira, começavam a ver três bolas onde havia apenas uma.

O Legado que Atravessou Gerações

A tradição passou de pai para filho (ou melhor, de avó para neto), chegando até o atual guardião da receita: João Ricardo Siqueira, carinhosamente apelidado de "O Presida" pelos amigos da atualidade. Ele mantém viva não apenas a destilaria familiar, mas também o espírito irreverente da Baronesa, que costumava dizer:

"No tênis como na cachaça: quanto mais você esquenta, melhor fica o resultado. E se der errado, pelo menos você se diverte tentando!"

A Herança Espiritual

Hoje, quando os membros do grupo Amigos da Jaqueira brindam com a cachaça artesanal após uma partida no Esporte Clube Pinheiros, estão, sem saber, perpetuando uma tradição centenária. A alma da Baronesa de Jaú certamente sorri do além, vendo que sua paixão por "saibro, suor e cerveja" (ela que perdoe a substituição) continua viva no coração de cada tenista que aprecia uma boa dose da cachaça que leva o nome da lendária jaqueira de sua fazenda.

P.S.: Alguns historiadores mais sisudos questionam a veracidade desta história. A estes respondemos como a própria Baronesa: "A verdade é como uma boa cachaça - não importa se é pura, importa se esquenta o coração!"

Em memória da Baronesa Cândida Antonieta Vidigal Prado de Linhares Siqueira (1875-1952)
"Primeira dama do tênis caipira e eterna rainha da cachaça com classe"

A História da
Cachaça da Jaqueira

"Uma lenda sabrosa do interior paulista"